Senta-te
Première:
February 2005,
Centro Cultural de Belém, Lisbon (Portugal)
Commissioned
by: CCB/Box
Nova
Duration:
40 minutes
Photo
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Video
Samples: not yet available
Choreographer:
Teresa Simas
Dancers:
Hillel Kogan,
Miguel Moreira, Sandra Rosado and Teresa Alves da Silva
Music:
Pedro Carneiro
(four channel electroacustic composition)
Costume
design: Teresa Simas
Lighting:
Teresa Simas
Production:
Teresa Simas/Pedro
Carneiro
Coproduction:
Box Nova/Centro
Cultural de Belém
Technical
Requirements: please contact
Work Profile (Portuguese Only, not yet available in English
and French):
Senta-te:
um perfil por Pedro Carneiro
Um palco negro, aparentemente
vazio. Nada, ou quase nada. A luz da plateia desce, pouco a
pouco, em diminuendo (como se estivessemos prestes a
iniciar a audição de uma partitura de Gÿorgy
Kúrtag), escurecendo cada vez mais o negro profundo.
Silêncio….
Ao descrever o início de "Senta-te" é-me impossível
esquecer o "Silêncio", título da obra anterior da autora.
Mas este silêncio de que vos falo não é uma ausência, não é
um vácuo. Apenas em silêncio e tranquilidade podemos entrar
no universo denso e inquietante destas obras. Em
Senta-te,
mais uma vez, a coreógrafa trabalha com a sua matéria
prima, o corpo: um homem que se move lentamente num
corredor de luz, num jogo de mímica, num código secreto
impenetrável, músculos envolvidos pela luz, que os
deformam, realçam, contornam; outro homem de costas,
com um leitor de mini-disc
no bolso e
de headphones
a ouvir de forma
ensurdecedora o Coriolan
de Beethoven,
descalço a dirigir uma orquestra imaginária num transe
assustador; uma mulher no chão, que parece querer
enterrar-se nele, banhada por uma luz ocre e vermelha; e
uma outra mulher, veloz, impaciente, a fugir da sua sombra
digital (um programa de computador que persegue com uma
sombra a intérprete), o seu corpo está coreograficamente
divido em quatro partes, cada uma com a sua pulsação, com o
seu relógio interno.
Somos invadidos pela música, espacializada à nossa volta,
em quatro altifalantes que nos abraçam.
O som viaja no espaço, mas nós estamos dentro desse espaço,
parte desse íntimo sonoro.
Nestes quatro quadros non-stop,
Teresa Simas criou um universo escuro, perturbador e
desconcertante. Numa linguagem aparentemente simples, mas
verdadeiramente idiomática, é embutido no corpo todo
um potencial expressivo, ancestral. Por vezes temos a
impressão de estar perante um ritual, que apesar de
inquietante, nos prende e questiona. Por outro
lado, Senta-te
marca o início de
um trabalho individual com o intérprete: ao trabalhar com
cada bailarino individualmente, o processo de trabalho
torna-se uma oficina, onde é minuciosamente explorada e
criada a obra.
Com um passado de atleta de alta competição e de bailarina
profissional (tendo trabalhado com Naharin, Preljocaj,
Chouinard ou Killian) Teresa Simas põe em prática um
background
físico: é uma
linguagem do corpo, falada de criador
físico para intérprete
físico.
Por este mesmo motivo é estimulante assistir a um ensaio -
é falada toda uma linguagem que nos é desconhecida, o
idioma do corpo, de quem o fala dia após dia, ano após ano.
E esse idioma toca-nos.
Senta-te
é uma viagem
interna, íntima: para a ouvir, é preciso sentir o
silêncio.